Minha querida Depressão: O que aconteceu? #9

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(Foto retirada do Google)

Depois de dois meses sem escrever nada sobre o assunto, decidi voltar e falar algumas coisas… Será que essa fase se encerrou?

Pra quem me acompanhou durante o ano passado entre os meses de Outubro e Novembro, acabou lendo sobre os acontecimentos da minha depressão. Eu sei que muitos acabaram me julgando sobre esse acontecimento, e isso realmente é super normal, afinal todo mundo acha que é frescura de alguém até o momento em que se passa por isso.

Eu mesma tinha aquele julgamento de achar que era besteira da pessoa de não querer levantar da cama ou se querer se matar por conta de algum acontecimento, até eu também começar a passar por isso.

Minha última postagem foi sobre como é bom receber apoio nesse momento, mas afinal, o que aconteceu? Como eu estou agora? Meu humor melhorou? Minha vontade de se matar sumiu? Estou mais alegre?

Vou iniciar uma história, e espero que sirva de alerta para algumas meninas/mulheres que assim como eu, decidem tomar anticoncepcional por algum motivo.

Não é mistério pra ninguém que anticoncepcionais podem ser destrutivos para as mulheres, e inclusive no último anos vimos como o índice de casos de trombose por conta desse medicamento aumentou. Mas você sabia que além disso, e de sintomas mais comuns como enjoos e gastrites, esse medicamento pode causar a depressão?

Decidi começar a tomar anticoncepcional na metade de Setembro de 2016, por contas das fortes cólicas e dores de cabeças que eu tinha no período que toda mulher passa chamada TPM e a (maldita) menstruação. Conversei com minha mãe sobre essa minha decisão, pois já estava cansada de tomar dois ou até três remédios para dor para amenizar as cólicas (sendo que, eu não posso tomar alguns medicamentos por conta da minha alergia).

Fui na minha médica, ela me alertou sobre os possíveis enjoos que eu poderia sentir e disse:

– Para podermos analisar se você poderá continuar a tomar ou não, teremos que fazer o teste durante três meses. Você tem certeza que quer fazer isso? Você poderá sentir enjoos, falta de apetite, emagrecer ou engordar além do seu humor poder várias, como você ficar irritada mais fácil.

Mesmo com todas essas contraindicações, aceitei. Afinal, eu queria realmente algo que acabasse com essas dores que eu sentia todos os meses. Ela me entregou três caixinhas e sai do consultório. Comecei a tomar no mesmo dia, como ela tinha me recomendado e, assim como boa parte da população, eu não li a bula.

Nas duas primeiras semanas eu estava tranquila, tomava o remédio todo dia a noite, e tinha minha rotina normal, como se não tivesse tomando absolutamente nada. A partir da terceira semana, comecei a ouvir frequentemente a seguinte frase da minha mãe:

– Amanda, você anda irritada demais, está acontecendo alguma coisa?

Acontecendo até que estava, mas nada que me deixasse tão irritada a ponto de querer ficar quieta. Não havia motivo de eu estar discutindo com minha mãe, ainda mais porque eu não tinha feito nada e nem ela também além de mal nos vermos.

A partir daquele momento, parece que tudo mudou… Se você leu os textos que postei intitulados “Minha Querida Depressão” igual ao título desse post, você está entendendo o que eu estou falando.

Realmente tinha dias que eu não queria levantar, por consequência disso, estou praticamente reprovada no último semestre que está terminando no mês de fevereiro da Faculdade. Teve dias que eu falei que fui pra aula e acabei não indo porque não conseguia tirar o corpo da cama, teve dias que eu cheguei a ir e acabei desabando nos braços das minhas amigas com crises de choros.

O problema realmente foi que tudo isso se tornou constante: era minha irritação, minha vontade de não viver e meus conflitos internos que só quem conviveu comigo todos os dias durante esse tempo conhece quais eram.

Minha mãe começou a se preocupar e todos os dias falava que eu não devia deixar a peteca cair, que eu devia me animar, que seria só uma fase. E realmente ela estava certa, foi só uma fase, mas eu não enxergava dessa maneira (e como queria ter escutado ela e mudar minha visão naquela época).

Eu via meu mundo monocromático, era tudo preto e branco. Pra mim, estudar se tornou chato e trabalhar era tedioso. Sair do meu quarto era uma dor imensa, e ficar sentada na sala tentando achar algum filme que prendesse minha atenção era extremamente difícil, e se minha mãe tentasse falar sobre qualquer assunto comigo eu começava a chorar.

Por um instante, pensei em desistir da minha vida, afinal na minha visão estava dando tudo errado. Minha mãe me mandou para o Psicólogo e eu pensei “É, realmente eu estou louca!”, e ela mesma, que me conhece como ninguém (Ah, mães são sempre mães), começou a desconfiar do remédio.

– Filha, você não acha que você pode estar assim por conta do anticoncepcional?

– Acho que não mãe.

– Olha filha, lê a bula. Anticoncepcional mexe muito com hormônio, acho que você deveria parar de tomar.

– Mas a médica disse que eu tenho que ficar três meses tomando.

E foi o que eu fiz, tomei os três meses como ela mandou. Mas, assim como minha mãe deu a ideia, acabei indo ler a bula e eis que encontro o seguinte:

“[…] As pacientes que ficarem significativamente deprimidas durante o tratamento com anticoncepcional devem interromper o uso do medicamento[…]”.

“Reações Comuns (ocorre entre 1% e 10% das pacientes que utilizam este medicamento): […] alterações de humor, incluindo depressão[…]”.

E cheguei a conclusão que deveria parar de tomar. Além de estar com depressão, emagreci absurdamente durante esse tempo, principalmente em Novembro para Dezembro, quase 6Kg em duas semanas porque eu não conseguia comer absolutamente nada, era um sacrifício para mim almoçar, jantar, lanchar.

Bem, acredito que você saiba o que aconteceu… Sim, eu parei de tomar remédio e uma semana depois eu já estava melhor. Tinha voltado a comer, e a desejar a voltar a minha rotina normal.

Você pode me perguntar: Amanda, a sua depressão foi causada pelo anticoncepcional? A resposta é: não sei! Pode ter sido, e é bem provável que isso tenha acontecido, mas ao mesmo tempo eu não posso confirmar. Pode ser que sim e ao mesmo tempo pode ser que tudo que estava bagunçado se ajeitou ao mesmo momento que eu parei com o remédio.

Mas vou confessar uma coisa: tive que recuperar minha autoestima. E na verdade, ainda estou me recuperando. Eu tinha parado de me arrumar, usava sempre as mesmas roupas, não me maquiava e me achava gorda e feia. Tinha parado de cantar, ouvir músicas e dançar. Tinha parado de sair a noite. E confesso que é bem difícil se sentir assim.

Nas últimas semanas, decidi sair de casa pra passear, decidi voltar a me maquiar, a voltar a me achar lindíssima, e a me arrumar (e trocar várias vezes de roupa até achar a ideal para aquele dia). Assumi meu cabelo cacheado, coisa que não estava acontecendo porque eu realmente estava fazendo escova praticamente toda semana, além de ter tacado mil e uma tintura no meu cabelo até o momento que decidi cortar.

Ah, e cortar o cabelo pra mim foi como se eu me liberta-se de quem eu estava sendo e recomeçar. Comecei a usar óculos, e a me achar bonita com eles também. Parei de ter tanta vergonha em usar bermudas, comecei a ser adepta a usar vestidos e comprei um biquíni em que eu me sentisse bem.

E se essa fase se encerrou? Não totalmente… Ainda tem dias que estou arredia, não quero abraços e nem contatos, muito menos conversar. Tem dias que eu ainda não quero levantar, acordo e volto a dormir mesmo não estando com sono mais.

Mas mesmo me sentindo assim algumas vezes, estou bem melhor do que eu estava, e ainda com menos medo de falar sobre o assunto ou sobre o que eu estou passando. Acredito que eu precisei passar por tudo isso para chegar ao local que eu estou agora além de começar a pensar mais ainda no meu futuro. Passar por isso me ajudou a crescer e a me fortalecer.

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