Minha querida Depressão: O “Não” ao Calmante e as Crises de Choro. #7

Segunda-feira. Dia 31 de Outubro de 2016.

Dia 28 de Outubro foi feriado do “Dia do Servidor Público”, e como eu trabalho em uma repartição pública, eu teria folga na sexta. Mas, como dia 02 de Novembro era Finados, o Prefeito da cidade decidiu mudar a data para dia 1º de Novembro, fazendo com que emenda-se 5 dias de folga para todos os servidores.

Decidi que ia tentar ficar sem calmante esses dias, já que ficaria longe do meu serviço e por conta disso poderia estar com o meu humor natural (ou seja, indefinido).

O Meu Humor Inconstante

No início eu andava somente triste, e todos diziam que era uma tristeza passageira pelo fato de eu ter desistido de casar. Mas esse problema foi se agravando. Comecei a parar de ir pra faculdade pelo simples fato de não querer levantar mais da cama, e comecei a dizer que tudo o que eu queria era o meu quarto, a minha cama e o direito de ficar trancada chorando o quanto eu quisesse.

E mesmo assim eu ouvia de todos a frase: “É só uma fase, isso vai passar logo!”.

E não passou.

As coisas começaram a se agravar mais.

Parei com a vontade de estudar, com a vontade de trabalhar e a vontade de viver com a sociedade. Me tornei uma pessoa triste, sem o brilho no olhar e a falta de vontade de sorrir. Eu tentava sorrir, fazer piadas mas nem isso eu conseguia mais direito. Tinha vontade de ficar reclusa na minha casa, sem fazer absolutamente nada. Tinha desistido da sociedade, estava acreditando que tudo era ruim e me fazia mal, e que, pra falar bem a verdade, eu acreditava que eu não tinha mais utilidade pro meu mundo.

Comecei a pensar em suicídio, mas não comentei pra ninguém. Pensava isso nos momentos em que minha mente estava desocupada, e como vovó sempre dizia: “Mente Vazia, Casa do Diabo”. Então, toda vez que eu pensava em me matar e se alguém ia sentir minha falta, eu arranjava algo que me ocupasse, mesmo que aquilo não me desse prazer nenhum.

Tem momentos que é difícil focar em outras coisas, quando você se sente a pessoa mais impotente do mundo. Sentir que você é imprestável e não tem utilidade nenhuma pra humanidade, nem que existe algum sentido em eu estar aqui, ou em tal lugar em determinado momento, destrói e corrói você por dentro de uma maneira intensa e dolorosa, em que você não pode contar com ninguém pra te ajudar a superar esse sentimento.

O “Não” ao Calmante

Como eu disse no texto anterior (eu acredito, não tenho certeza em qual foi), eu vicio muito fácil com remédios e foi por isso que eu fui meio relutante em tomar calmantes para ir trabalhar e dormir. Mas tem horas que eu noto o quanto é inevitável.

Quando chegou esse feriadão, foi uma luta pra mim. Consegui ficar 6 dias. 6 dias sem o (maldito) Calmante. Mesmo chorando, surtando, querendo morrer, não querendo que as pessoas me abraçassem ou chegassem perto de mim.

Como é a sensação? É péssima!

Eu ia da felicidade e do sorriso à tristeza, de querer ficar somente na cama, o desejo de dormir bem e ver que a madrugada não foi nada do que você desejava porque sua mente faz você pensar demais que nada vai dar certo e que o sono não vai resolver seus problemas.

E o mais engraçado são as pessoas a sua volta falando que isso é “bobeira” sua e que tudo isso é só uma “frescura de uma adolescente que não tem o que fazer”. As pessoas não olham você como se você estivesse com algum problema realmente sério para te dar a mão. NÃO! A maioria vai dizer que você é desocupada e só quer chamar a atenção.

Ficar esse tempo todo sem calmante me fez perceber o quanto nós, seres humanos, somos fracos quando estamos no meio a uma sociedade.

Ficar esse tempo todo sem calmante me fez perceber o quanto eu estou frágil e instável demais quando preciso lidar com situações, tanto pessoais como do trabalho.

Ficar esse tempo todo sem calmante me fez perceber que eu me tornei uma pessoa mais antissocial e sem a vontade tanta vontade de beijar e abraçar os outros.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s