Minha querida depressão: Crise no meio do serviço #4

Quinta-feira. Dia 20 de Outubro de 2016. 15h45.

Sintomas: Crise de Choro.

No meio de um dia do serviço, intercalando o meu olhar entre o computador e o celular, pensava o motivo da minha existência.

Resultado: Nada encontrado.

Meu corpo começou a tremer, e um soluço surgiu e ecoou na sala que estava vazia. Ia me dar vontade de chorar.

Peguei meu óculos escuro e sai do serviço, sem dar explicações a ninguém. Aproveitei que minha chefe estava viajando. Fui em direção a praça que fica ao lado e sentei. Olhei para frente e pensei “Por que eu existo?”, e a cada tentativa de resposta, uma nova crise, um novo soluço.

Fiquei exatamente uma hora, sentada, chorando, tentando me acalmar, pensando na possibilidade de ser somente um momento ruim. Mas não. Todos os piores pensamentos tomaram e ainda tomam conta de mim.

Quando passou esse tempo, notei que estava perto do horário da minha chefe voltar, fazendo com que eu tivesse que voltar ao serviço. Chego com olhar de choro e aceno com a cabeça representando um pequeno “Por favor, não pergunte o que aconteceu”. Fiquei mais um tempo na porta, chorando, quando minha chefe chegou.

“Esta tudo bem, flor?”, foi a primeira pergunta que ela fez quando me viu. Ela me conhece como ninguém. Pra falar bem a verdade, eu tenho a melhor chefe do mundo. Eu disse que sim e fomos pra sala. Conversei sobre a crise, e ela me entendeu demais… Ela sempre me entende.

Fui para casa e conversei com minha mãe sobre o que tinha acontecido.

Mamãe, desde que eu era pequena, sempre dizia que eu era “Linda e forte”, mal chorava… Para falar bem a verdade, raríssimas vezes chorei e principalmente na frente da minha mãe. Eu me achava linda. Eu me achava gostosa. Eu me achava forte. Na verdade, nunca imaginei que iria chegar a esse limite.

Quando todos os sintomas batiam a minha porta, eu nem ligava, colocava um sorriso no meu rosto e resolvia as coisas mais alto astral possível. É difícil ver que você se perdeu dentro de você mesmo, ainda que saiba que existe um restinho de você que faz com que a sua missão seja recuperar esse restinho perdido.

É difícil ouvir das pessoas que você perdeu seu brilho.

É difícil ouvir das pessoas que você está diferente.

É difícil ouvir das pessoas que você está “Séria demais”.

E o mais difícil, é você notar que os outros tem razão. E mais ainda, que você não consegue se recuperar sozinha.

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