Minha querida Depressão: Não quero assistir a Aula! #3

Quinta-feira. Dia 15 se Outubro de 2016. 09h10.

Fazia quase 1 mês e meio que não ia para a faculdade, pois o único desejo meu era ficar deitada sem fazer nada. Preguiça? Não. Somente a sensação de não ter utilidade para o mundo. Ouço minha mãe levantar, e decido levantar também. “Hoje esse pensamento não irá tomar conta de mim!”, pensei.

Escolhi minha roupa, peguei as coisas e fui tomar um banho. Mandei mensagem para as meninas da faculdade dizendo “Hoje eu vou, daqui a pouco eu chego”. Tomei um banho e olhei pro espelho – “Por que estou com um aspecto tão triste?”, pensei – nunca tinha visto aquela Amanda em 21 anos, porque eu estava acostumada a sorrir sem motivos, e acordava sorrindo. Me maqueei pra esconder o aspecto cansado e triste que eu estava. Peguei minha mala, tomei um café que minha mãe tinha acabado de fazer e fui pegar o ônibus.

“Não deveria estar indo, o que vão pensar depois de tanto tempo sem aparecer?”, pensava no medo que eu estava em dar a cara a tapa para a turma e os professores depois de tanto tempo sem aparecer. Juro que não queria abandonar a faculdade, mas minha mente foi mais forte do que eu.

Se algum professor ou professora estiver lendo isso e me der aula no IFPR, saiba que eu não queria ter sumido, eu não queria ter chegado ao estado que estou. Eu achei que era só um momento, mas eu vi que não. Sei que minhas faltas estão enormes, mas eu ainda quero estar com vocês e me formar, só preciso me convencer que eu posso novamente.

Cheguei na faculdade, era dia de Aula de Desenvolvimento Web. E desde Agosto, quando iniciou o semestre, eu não tinha ido a uma única aula. Cheguei e mandei mensagem para as meninas. “Estou aqui embaixo, esperando dar o horário”. A minha amiga, Andressa, saiu da aula e veio falar comigo. Ela me deu um abraço que eu mais precisava naquele momento é começou a falar comigo. Não conseguia falar, explicava e chorava sentada no banco que fica na entrada da faculdade. Minhas outras duas amigas, Jéssica e Beatriz, saíram para o intervalo e nos encontraram.

Comecei a tentar explicar o que estava acontecendo e contolar meu choro. Elas estavam tentando me convencer a assistir a aula e eu comecei a dizer que Não conseguia.

Não, eu não conseguia! Eu tinha travado, eu estava com vontade de sair correndo gritando. Comecei a falar que não ia assistir aula, eu dizia “O que eu vou fazer lá? Eu não sei nada”, e mesmo elas tentando me convencer eu não fui.

A Andressa falou com o professor dela, e pediu liberação pra ficar comigo. Ela foi até o centro e almoçamos juntos, pra me fazer se sentir melhor. Depois, me acompanhou até o meu serviço.

Cheguei e fui pra minha sala. Me tranquei e comecei a chorar.
“Por que eu sou fraca? Por que está acontecendo comigo?”. Estava chegando ao meu ápice e não estava me dando conta. Achei que era só uma fase, mas tinha se tornado algo sério.

P.S.: Meninas, se vocês estiverem lendo isso, saiba que naquele dia, foi muito importante pra mim vocês estarem ali comigo. Eu precisava de vocês, e vocês não me abandonaram. Obrigada por tudo.

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